3 de Nov de 2009
Eufrásio Mix Beat
Evento realizado no Mercado Eufrásio Barbosa, Olinda 01/11/09, domingo. Na ordem das Bandas: Jr. Black, Quarteto Olinda e Academia da Berlinda.


































Show de Arnaldo Antunes
23 de Out de 2009
Show de Maria Rita
8 de Out de 2009
... palhinha fotográfica do 10* Tracunhaém Festival...
Cidade de Tracunhaém, Zona da Mata pernambucana. 1º e 2º dia do Festival. Na ordem: Bantus Reggae, Forró de Cana, Ticuqueiros e Alessandra Leão. Teve muito mais coisa interessante.
























de rolé pelos Quatro Cantos de Olinda....
7 de Out de 2009
A concepção do texto descritivo, narrativo, e argumentativo na etnografia: a percepção dos sentidos na elaboração de suas formas
Texto por Luiz Bernardo Barreto
A compreensão etnográfica dos objetos de pesquisa se renova com a introdução de novas ferramentas de documentação e registro da percepção. O campo da iconografia se valida da “apropriação” do visual, uma vez que pesquisa, registra, discute e publica tal objeto de estudo.
Porém, o caráter de discurso é que sofre julgamento, ou pré-julgamento perante sua validade, credibilidade, relevância. A fotografia de cunho antropológico vem arraigada de conceituações, que, dentre elas, indaga-se sobre o grau e nível de compreensão do senso comum diante de determinados estudos apresentados, nos quais a fotografia se funda como ferramenta da pesquisa.
O universo da visão vem para quebrar o “paradigma” do sensível, e apenas dele, no que diz respeito à percepção da racionalidade científica ao nível dos estudos científicos. Esse novo modo próprio de pensar estrutura uma nova conceituação da descrição, por muitas vezes, se misturando com o fundamento da explicação, o que pode torna-se perigoso.
A fotografia é tida como uma aparência, uma visão expressada diante de um olhar estabelecido, ou pré-estabelecido, com pretensões, tendências, fins e meios. Ela torna-se linguagem quando caminha arraigada de valores e dizeres, sensações e expressões, interpretação e razão.
Dentre vários sentidos que a fotografia nos apresenta, a abstração se mostra uma das que mais incomodam os antropólogos e etnólogos. Da forma que a neutralidade está para um texto científico, a abstração está na construção de uma imagem, inclusive fotográfica.
A descrição então, se estrutura ao passar do tempo, onde nossa percepção fica mais maturada, mais eficaz, mais próxima de uma compreensão com mais verdade e mais ampla. Ela vem com o tempo, pois é fruto do tempo, e filha da experiência. O estado da descrição sempre caminha com a necessidade e prioridade de se aumentar a bagagem intelectual e prática do nosso campo e objeto de pesquisa.
Ai se encontra um erro no que se nomenclatura de estatuto da escrita descritiva, onde subjetividades se tornam “verdades”, e juízo se torna valor, norma, conduta. Se o objeto iconográfico, a fotografia (se assim for tratada), vem estruturado e acompanhado de uma narração, o seu papel é a descrição, que tem cunho romântico, literal. Não que a narração não sirva à explicação, mas ela é incompleta em termos científicos para argumentar sobre o tema. Na explicação, a narração apenas é utilizada para levar o leitor ao que é considerado digno de interesse e de respeito, ou seja, a demonstração. A descrição tem papel de ilustrar e demonstrar, nunca de explicar.
Quando interpretamos algum objeto científico, nos deparamos com problemas de análise relativos à captação da descrição. O etnocentrismo, e a prática puramente, sempre condicionalmente, normativa, empobrecem o campo da ciência com limites, redundância e conceitos apenas teóricos e nada práticos. A teoria acaba, por vezes, não sendo lúcida sobre si mesma. “Mesmo admitindo que a explicação explique o que ela não é, ela acaba tendo tendência, por causa da auto-referencialidade, a ignoras-se”. O mostrar e o demonstrar não são apenas atos do pesquisador, e sim exercícios por ele apreendido, que tem que ser tomado à cabo diante sua necessidade de executa-lo.
A descrição etnográfica não se limita unicamente à sua modalidade textual, mas também opera no campo da museologia, sendo uma atividade de conservação, exposição e restituição. Ela se fundamenta, entre outros fatores, na particularização do saber, da forma de expressar, no modo e publicar. Sua maior característica é do envolvimento, não da argumentação, como tem que ser na explicação. Mas a descrição se mostra indiferente nas idéias gerais que leva a pensar num olhar emotivo, porém não no ângulo conceptual.
Na descrição etnográfica, o sujeito da enunciação é largamente minimizado a favor do enunciado de referência. O que importa é a pesquisa, e não o pesquisador. É na linguagem que tudo acontece. A cultura só se constitui a partir da etnografia, da etnologia e da antropologia. A problemática na atividade da descrição etnográfica não repousa no caráter da referencialidade, mas sim, na linguagem. Qual a linguagem para se pensar, abordar, estruturar e pesquisar determinado assunto? A concepção dessa linguagem se encaixa nos viés da etnografia, etnologia e antropologia? Quais parâmetros usaremos para determinar tal objeto de estudo como social, onde a fotografia sirva de suporte técnico na captação, e teórico da interpretação e explicação, fazendo nascer a argumentação?
Essas indagações, dentre várias outras que circundam o campo da fotografia como objeto de estudo e ferramenta de pesquisa, servem como suporte para melhor entendermos a processo de produção cultural, em que nossas pesquisas se tornam e faz nascer. O condicionamento do olhar e sua interação com a ciência é um procedimento que leva tempo e maturidade, assim como na descrição, até porque isso é descrever.
A forma que encontramos para argumentar determinado tema se estrutura por uma linguagem complacente à nossa teoria, a nossa postulação, ao nosso sentido e percepção na construção e procura da melhor forma a se estruturar nossa pesquisa. Algo que habilite nosso olhar, e sempre progrida no sentido da interpretação e explicação.
A fotografia combate tudo aquilo que é unívoco, determinando, até pra si mesmo, a experimentação visual e lingüística das diferenças, baseadas em diferentes maneiras de contar e registrar suas histórias, com versões variadas de diferentes visões, sob olhar com aspectos de diferentes percepções.
Qual seria a graça e o objetivo da fotografia se essa se mostrasse uma linguagem de um só entendimento, a exatidão? A graça seria nenhuma e o objetivo um objetivismo falso e desvairado, onde a cientificidade roubaria todo o prazer da verdade.
A compreensão etnográfica dos objetos de pesquisa se renova com a introdução de novas ferramentas de documentação e registro da percepção. O campo da iconografia se valida da “apropriação” do visual, uma vez que pesquisa, registra, discute e publica tal objeto de estudo.
Porém, o caráter de discurso é que sofre julgamento, ou pré-julgamento perante sua validade, credibilidade, relevância. A fotografia de cunho antropológico vem arraigada de conceituações, que, dentre elas, indaga-se sobre o grau e nível de compreensão do senso comum diante de determinados estudos apresentados, nos quais a fotografia se funda como ferramenta da pesquisa.
O universo da visão vem para quebrar o “paradigma” do sensível, e apenas dele, no que diz respeito à percepção da racionalidade científica ao nível dos estudos científicos. Esse novo modo próprio de pensar estrutura uma nova conceituação da descrição, por muitas vezes, se misturando com o fundamento da explicação, o que pode torna-se perigoso.
A fotografia é tida como uma aparência, uma visão expressada diante de um olhar estabelecido, ou pré-estabelecido, com pretensões, tendências, fins e meios. Ela torna-se linguagem quando caminha arraigada de valores e dizeres, sensações e expressões, interpretação e razão.
Dentre vários sentidos que a fotografia nos apresenta, a abstração se mostra uma das que mais incomodam os antropólogos e etnólogos. Da forma que a neutralidade está para um texto científico, a abstração está na construção de uma imagem, inclusive fotográfica.
A descrição então, se estrutura ao passar do tempo, onde nossa percepção fica mais maturada, mais eficaz, mais próxima de uma compreensão com mais verdade e mais ampla. Ela vem com o tempo, pois é fruto do tempo, e filha da experiência. O estado da descrição sempre caminha com a necessidade e prioridade de se aumentar a bagagem intelectual e prática do nosso campo e objeto de pesquisa.
Ai se encontra um erro no que se nomenclatura de estatuto da escrita descritiva, onde subjetividades se tornam “verdades”, e juízo se torna valor, norma, conduta. Se o objeto iconográfico, a fotografia (se assim for tratada), vem estruturado e acompanhado de uma narração, o seu papel é a descrição, que tem cunho romântico, literal. Não que a narração não sirva à explicação, mas ela é incompleta em termos científicos para argumentar sobre o tema. Na explicação, a narração apenas é utilizada para levar o leitor ao que é considerado digno de interesse e de respeito, ou seja, a demonstração. A descrição tem papel de ilustrar e demonstrar, nunca de explicar.
Quando interpretamos algum objeto científico, nos deparamos com problemas de análise relativos à captação da descrição. O etnocentrismo, e a prática puramente, sempre condicionalmente, normativa, empobrecem o campo da ciência com limites, redundância e conceitos apenas teóricos e nada práticos. A teoria acaba, por vezes, não sendo lúcida sobre si mesma. “Mesmo admitindo que a explicação explique o que ela não é, ela acaba tendo tendência, por causa da auto-referencialidade, a ignoras-se”. O mostrar e o demonstrar não são apenas atos do pesquisador, e sim exercícios por ele apreendido, que tem que ser tomado à cabo diante sua necessidade de executa-lo.
A descrição etnográfica não se limita unicamente à sua modalidade textual, mas também opera no campo da museologia, sendo uma atividade de conservação, exposição e restituição. Ela se fundamenta, entre outros fatores, na particularização do saber, da forma de expressar, no modo e publicar. Sua maior característica é do envolvimento, não da argumentação, como tem que ser na explicação. Mas a descrição se mostra indiferente nas idéias gerais que leva a pensar num olhar emotivo, porém não no ângulo conceptual.
Na descrição etnográfica, o sujeito da enunciação é largamente minimizado a favor do enunciado de referência. O que importa é a pesquisa, e não o pesquisador. É na linguagem que tudo acontece. A cultura só se constitui a partir da etnografia, da etnologia e da antropologia. A problemática na atividade da descrição etnográfica não repousa no caráter da referencialidade, mas sim, na linguagem. Qual a linguagem para se pensar, abordar, estruturar e pesquisar determinado assunto? A concepção dessa linguagem se encaixa nos viés da etnografia, etnologia e antropologia? Quais parâmetros usaremos para determinar tal objeto de estudo como social, onde a fotografia sirva de suporte técnico na captação, e teórico da interpretação e explicação, fazendo nascer a argumentação?
Essas indagações, dentre várias outras que circundam o campo da fotografia como objeto de estudo e ferramenta de pesquisa, servem como suporte para melhor entendermos a processo de produção cultural, em que nossas pesquisas se tornam e faz nascer. O condicionamento do olhar e sua interação com a ciência é um procedimento que leva tempo e maturidade, assim como na descrição, até porque isso é descrever.
A forma que encontramos para argumentar determinado tema se estrutura por uma linguagem complacente à nossa teoria, a nossa postulação, ao nosso sentido e percepção na construção e procura da melhor forma a se estruturar nossa pesquisa. Algo que habilite nosso olhar, e sempre progrida no sentido da interpretação e explicação.
A fotografia combate tudo aquilo que é unívoco, determinando, até pra si mesmo, a experimentação visual e lingüística das diferenças, baseadas em diferentes maneiras de contar e registrar suas histórias, com versões variadas de diferentes visões, sob olhar com aspectos de diferentes percepções.
Qual seria a graça e o objetivo da fotografia se essa se mostrasse uma linguagem de um só entendimento, a exatidão? A graça seria nenhuma e o objetivo um objetivismo falso e desvairado, onde a cientificidade roubaria todo o prazer da verdade.
O advento da tecnologia sob a divisão do trabalho: A necessidade da capacitação na empregabilidade diante de um novo paradigma
Texto Por Luiz Bernardo Barreto
Mudanças, avanços tecnológicos, inovações nas formas de registro e conhecimento, fácil acesso a publicação de conteúdos. O mundo muda numa estrutura que tende a inovação a cada segundo, onde o instante a pouco passado se torna extremamente velho, e o futuro é mais próximo que o esperado.
As relações trabalhistas não fogem essa regra. Tais mudanças abalam de forma direta o dia a dia, toda uma sociedade e suas instituições, o processo produtivo dessa sociedade e, principalmente, o indivíduo que nela habita. Os avanços mais vigentes são tecnológicos e científicos, porém, em contrapartida à idéia de avanço (pois avanço em primeira instância tem que ser social) a tecnologia segrega e diverge de políticas públicas, transformando o processo do trabalho em pequenos núcleos mais enxutos, onde o conhecimento é mais necessário, e a capacitação e experiência cada vez mais fundamental.
Mesmo com todo avanço tecnológico, o sonho de se trabalhar menos e produzir mais ainda é utopia, pelo menos para aqueles que não detêm um grau de conhecimento e habilitação para operar os maiores níveis de grau de trabalho, condizentes com os melhores salários e maiores garantias trabalhistas. O subemprego é, de fato, uma forma de desemprego, que com a crise, sacrifica ainda mais os trabalhadores, principalmente os terceirizados, sem garantias e direitos.
Cada descoberta tecnológica gera uma divisão social do trabalho, modificando, por vezes, a concepção cultural da sociedade a que está inserida. “Quanto mais dificuldades aparecem, os indivíduos são forçados a descobrir outros estilos de vida que respondem às exigências da sociedade”. As relações sociais, antes de tudo, são uma fuga para melhor, primeiramente, entender as pessoas e a cultura em que elas se inserem e constroem. Houve sempre um desenvolvimento econômico em detrimento do social, o que abala as relações e compromete a estrutura da sociedade no que diz respeito ao cotidiano.
“Novas problemáticas se evidenciaram, como as questões da ecologia e do desemprego”. A empregabilidade é a resposta para indagações do autoconhecimento e autodestruição. Esse é o desafio a ser tomado para a estruturação de uma sociedade mais justa e igualitária. “(...) para conseguir trabalhar no mercado competitivo, é preciso investir na educação e na formação de habilidades polivalentes”. O trabalho, perante esse novo modelo, torna-se instável e autônomo, sendo os trabalhadores forçados a buscar um perfil mais flexível, correspondente à era da empregabilidade. Tornar-se empregável e manter-se competitivo é a regra do mercado.
Consolidando-se a sociedade salarial, estruturou-se uma dinâmica em que o trabalhador produz a riqueza e não a possui, mas goza de seguridade social, sendo esse o status fundante da sociedade moderna, gerando a ideologia, utópica, da justiça social. “A idéia de empregabilidade tem por objetivo preparar o trabalhador para diferentes atividades, pois sua filosofia ressalta as potencialidades do indivíduo”.
Mudanças, avanços tecnológicos, inovações nas formas de registro e conhecimento, fácil acesso a publicação de conteúdos. O mundo muda numa estrutura que tende a inovação a cada segundo, onde o instante a pouco passado se torna extremamente velho, e o futuro é mais próximo que o esperado.
As relações trabalhistas não fogem essa regra. Tais mudanças abalam de forma direta o dia a dia, toda uma sociedade e suas instituições, o processo produtivo dessa sociedade e, principalmente, o indivíduo que nela habita. Os avanços mais vigentes são tecnológicos e científicos, porém, em contrapartida à idéia de avanço (pois avanço em primeira instância tem que ser social) a tecnologia segrega e diverge de políticas públicas, transformando o processo do trabalho em pequenos núcleos mais enxutos, onde o conhecimento é mais necessário, e a capacitação e experiência cada vez mais fundamental.
Mesmo com todo avanço tecnológico, o sonho de se trabalhar menos e produzir mais ainda é utopia, pelo menos para aqueles que não detêm um grau de conhecimento e habilitação para operar os maiores níveis de grau de trabalho, condizentes com os melhores salários e maiores garantias trabalhistas. O subemprego é, de fato, uma forma de desemprego, que com a crise, sacrifica ainda mais os trabalhadores, principalmente os terceirizados, sem garantias e direitos.
Cada descoberta tecnológica gera uma divisão social do trabalho, modificando, por vezes, a concepção cultural da sociedade a que está inserida. “Quanto mais dificuldades aparecem, os indivíduos são forçados a descobrir outros estilos de vida que respondem às exigências da sociedade”. As relações sociais, antes de tudo, são uma fuga para melhor, primeiramente, entender as pessoas e a cultura em que elas se inserem e constroem. Houve sempre um desenvolvimento econômico em detrimento do social, o que abala as relações e compromete a estrutura da sociedade no que diz respeito ao cotidiano.
“Novas problemáticas se evidenciaram, como as questões da ecologia e do desemprego”. A empregabilidade é a resposta para indagações do autoconhecimento e autodestruição. Esse é o desafio a ser tomado para a estruturação de uma sociedade mais justa e igualitária. “(...) para conseguir trabalhar no mercado competitivo, é preciso investir na educação e na formação de habilidades polivalentes”. O trabalho, perante esse novo modelo, torna-se instável e autônomo, sendo os trabalhadores forçados a buscar um perfil mais flexível, correspondente à era da empregabilidade. Tornar-se empregável e manter-se competitivo é a regra do mercado.
Consolidando-se a sociedade salarial, estruturou-se uma dinâmica em que o trabalhador produz a riqueza e não a possui, mas goza de seguridade social, sendo esse o status fundante da sociedade moderna, gerando a ideologia, utópica, da justiça social. “A idéia de empregabilidade tem por objetivo preparar o trabalhador para diferentes atividades, pois sua filosofia ressalta as potencialidades do indivíduo”.
29 de Abr de 2009
Uma breve concepção de Pierre Clastres em A Sociedade Contra O Estado
Por Luiz Bernardo Barreto
A possibilidade de construir uma Antropologia política é prejudicada na medida em que juízos de valor e opiniões são inerentes a sua constituição como ciência. O Estado é ausente em determinadas sociedades primitivas (não-divididas), o que as constitui como tal. Segundo Pierre Clastres essas sociedades primitivas são incompletas, e subsistem na ausência da política estatal. A certeza em que a linha da história caminha num sentido único, e que toda a sociedade está inserida nesse contexto histórico ao percorrer suas etapas, indo da selvageria ao processo civilizatório, é conceito nesse autor.
No entendimento de sua obra, percebe-se a afirmativa de que as sociedades primitivas, quase sempre, são entendidas pela falta de composição do Estado, da escrita e do processo histórico, e sua economia é de subsistência. Assim, não há formulação de mercado. Dessa forma, sua tecnologia estará “estagnada” ao subequipamento e inferioridade tecnológica.
Mas não podemos falar na inferioridade técnica das sociedades primitivas, se entendermos esse conceito no sentido de que se refere ao conjunto processual adquirido pelo homem para garantir um domínio do atual meio, no sentido da adaptação e relatividade às suas necessidades. Daí, o “conceito” de inferioridade é incabível para as primitivas sociedades, dominando o meio que ocupa apenas para satisfação de suas necessidades. Pierre Clastres defende que não existe hierarquia no campo da técnica, nem tecnologia superior ou inferior, sob medida de que a avaliação do equipamento tecnológico se dá pela sua utilidade na capacidade de satisfação e necessidade.
O conceito que se estrutura no fundamento (em direito e fato) da afirmativa que diz que as sociedades primitivas estariam condenadas à economia de subsistência, em razão da inferioridade tecnológica, é combatido por Pierre Clastres. O autor ainda aponta duas proposições, consideradas óbvias, exercida pelo ocidente, quando se debate a respeito da forma de viver dos primitivos. A primeira estabelece a dependência da sociedade perante o aparto estatal, e a segunda a imposição categórica sobre a necessidade do trabalho.
A atividade de produção na sociedade primitiva é estabelecida pelo grau de necessidade a ser satisfeito, voltado à energia gasta e necessariamente suprida. A sociedade perde seu caráter de primitiva quando se divide em dominantes e dominados, à medida que sua economia se define com autonomia e definição, e a atividade produtiva transforma-se em trabalho alienado e massificado. “A relação política do poder precede e fundamenta a relação econômica de produção. Antes de ser econômica, a alienação é política, o poder antecede o trabalho, o econômico é uma derivação do político, a emergência do Estado determina o aparecimento das classes”.
Na concepção de que o tempo se torna história, o surgimento do Estado estabeleceu e dividiu o selvagem do civilizado. A infra-estrutura econômica dessas sociedades se diferenciam, mas a superestrutura política é parecida. Essa seria a “contemplação” da sociedade sem Estado. Já o Estado, no entendimento de “sociedade organizada”, vai no sentido inverso, praticando a infra-estrutura de forma parecida e a superestrutura política diferenciada de outros Estado. É o que Pierre Clastres chama de sociedade sem Estado (primeira), e Estado acabado (seguinte).
Dessa forma se entende que o fator decisivo é a ruptura política, e não a mudança econômica. A verdadeira revolução é política, e não neolítica. O chefe da sociedade primitiva não dispõe de autoridade, poder de coerção, ou meio de ordenar. Se o “poder” de persuasão não basta, ele perde sua credibilidade perante a sociedade que representa, não sendo suficiente para exercer sua função de chefe. Essa sociedade jamais irá tolerar um chefe com perfil de déspota.
“A sociedade primitiva não permite que a vontade de poder substitua o desejo de prestígio”. Ela procura exercer um poder completo e absoluto sobre o que a formula, o que a compõe, interditando a autonomia daqueles que querem interesses contrários ao da tribo em geral, e mantendo seus componentes nos limites da vida social direcionado ao bem estar pleno e coletivo. É a ordem social primitiva, que visa intervir no poder político individual, central e separado. “A palavra é o único poder concedido ao chefe”.
Tal reflexão de Pierre Clastres nos remete, mais intensamente abordando o campo da produção mercadológica e economia subsidiária, se, de fato, é o índio, em sua sociedade primitiva, que se enquadra no perfil do preguiçoso, ou o homem branco, em sua sociedade estruturada de forma estatal, que se utiliza do mercado para obter os recursos necessários com a moeda (dinheiro) de troca do seu trabalho, que é a economia. Dessa forma, me pergunto, se poderíamos afirmar que essa concepção de preguiça também poderia estar em quem prefere comprar a ter que produzir, ao contrário das sociedades primitivas fundadas na agricultura?
Em contrapartida a essa hipótese, poder-se-ia indagar que, ao momento que o homem branco já desfruta do trabalho assalariado, não há preceitos de preguiça em sua composição cultural contemporânea. Porém, dessa forma, percebemos, por muitas vezes, a produção de excedentes se multiplicarem, ao ponto de sobrar e não mais ter mercado consumidor, a medida que crises financeiras ascendem e declinam na atualidade. Daí, uma outra questão nos vem a tona: existe civilização em quem destrói seus mantimentos, territórios etc, pela “usura da produção mercadológica”, e por várias vezes estraga sua produção por negociações fracassadas com outros Estados e desvios de conduta política, associada à lavagem de dinheiro, onde por fatos já registrados em noticiários, mantimentos alimentícios são estocados, escondidos e estragados, por exemplo? Isso é uma civilização fincada no processo estatal, ou baseada no processo primitivo moderno, que ao menos respeita os preceitos éticos de uma sociedade?
Nessa “filosofia”, substituímos a preguiça do homem branco pelo olho grande e usura que mantém muitos das classes mais baixas em eternas sociedades primitivas.
A possibilidade de construir uma Antropologia política é prejudicada na medida em que juízos de valor e opiniões são inerentes a sua constituição como ciência. O Estado é ausente em determinadas sociedades primitivas (não-divididas), o que as constitui como tal. Segundo Pierre Clastres essas sociedades primitivas são incompletas, e subsistem na ausência da política estatal. A certeza em que a linha da história caminha num sentido único, e que toda a sociedade está inserida nesse contexto histórico ao percorrer suas etapas, indo da selvageria ao processo civilizatório, é conceito nesse autor.
No entendimento de sua obra, percebe-se a afirmativa de que as sociedades primitivas, quase sempre, são entendidas pela falta de composição do Estado, da escrita e do processo histórico, e sua economia é de subsistência. Assim, não há formulação de mercado. Dessa forma, sua tecnologia estará “estagnada” ao subequipamento e inferioridade tecnológica.
Mas não podemos falar na inferioridade técnica das sociedades primitivas, se entendermos esse conceito no sentido de que se refere ao conjunto processual adquirido pelo homem para garantir um domínio do atual meio, no sentido da adaptação e relatividade às suas necessidades. Daí, o “conceito” de inferioridade é incabível para as primitivas sociedades, dominando o meio que ocupa apenas para satisfação de suas necessidades. Pierre Clastres defende que não existe hierarquia no campo da técnica, nem tecnologia superior ou inferior, sob medida de que a avaliação do equipamento tecnológico se dá pela sua utilidade na capacidade de satisfação e necessidade.
O conceito que se estrutura no fundamento (em direito e fato) da afirmativa que diz que as sociedades primitivas estariam condenadas à economia de subsistência, em razão da inferioridade tecnológica, é combatido por Pierre Clastres. O autor ainda aponta duas proposições, consideradas óbvias, exercida pelo ocidente, quando se debate a respeito da forma de viver dos primitivos. A primeira estabelece a dependência da sociedade perante o aparto estatal, e a segunda a imposição categórica sobre a necessidade do trabalho.
A atividade de produção na sociedade primitiva é estabelecida pelo grau de necessidade a ser satisfeito, voltado à energia gasta e necessariamente suprida. A sociedade perde seu caráter de primitiva quando se divide em dominantes e dominados, à medida que sua economia se define com autonomia e definição, e a atividade produtiva transforma-se em trabalho alienado e massificado. “A relação política do poder precede e fundamenta a relação econômica de produção. Antes de ser econômica, a alienação é política, o poder antecede o trabalho, o econômico é uma derivação do político, a emergência do Estado determina o aparecimento das classes”.
Na concepção de que o tempo se torna história, o surgimento do Estado estabeleceu e dividiu o selvagem do civilizado. A infra-estrutura econômica dessas sociedades se diferenciam, mas a superestrutura política é parecida. Essa seria a “contemplação” da sociedade sem Estado. Já o Estado, no entendimento de “sociedade organizada”, vai no sentido inverso, praticando a infra-estrutura de forma parecida e a superestrutura política diferenciada de outros Estado. É o que Pierre Clastres chama de sociedade sem Estado (primeira), e Estado acabado (seguinte).
Dessa forma se entende que o fator decisivo é a ruptura política, e não a mudança econômica. A verdadeira revolução é política, e não neolítica. O chefe da sociedade primitiva não dispõe de autoridade, poder de coerção, ou meio de ordenar. Se o “poder” de persuasão não basta, ele perde sua credibilidade perante a sociedade que representa, não sendo suficiente para exercer sua função de chefe. Essa sociedade jamais irá tolerar um chefe com perfil de déspota.
“A sociedade primitiva não permite que a vontade de poder substitua o desejo de prestígio”. Ela procura exercer um poder completo e absoluto sobre o que a formula, o que a compõe, interditando a autonomia daqueles que querem interesses contrários ao da tribo em geral, e mantendo seus componentes nos limites da vida social direcionado ao bem estar pleno e coletivo. É a ordem social primitiva, que visa intervir no poder político individual, central e separado. “A palavra é o único poder concedido ao chefe”.
Tal reflexão de Pierre Clastres nos remete, mais intensamente abordando o campo da produção mercadológica e economia subsidiária, se, de fato, é o índio, em sua sociedade primitiva, que se enquadra no perfil do preguiçoso, ou o homem branco, em sua sociedade estruturada de forma estatal, que se utiliza do mercado para obter os recursos necessários com a moeda (dinheiro) de troca do seu trabalho, que é a economia. Dessa forma, me pergunto, se poderíamos afirmar que essa concepção de preguiça também poderia estar em quem prefere comprar a ter que produzir, ao contrário das sociedades primitivas fundadas na agricultura?
Em contrapartida a essa hipótese, poder-se-ia indagar que, ao momento que o homem branco já desfruta do trabalho assalariado, não há preceitos de preguiça em sua composição cultural contemporânea. Porém, dessa forma, percebemos, por muitas vezes, a produção de excedentes se multiplicarem, ao ponto de sobrar e não mais ter mercado consumidor, a medida que crises financeiras ascendem e declinam na atualidade. Daí, uma outra questão nos vem a tona: existe civilização em quem destrói seus mantimentos, territórios etc, pela “usura da produção mercadológica”, e por várias vezes estraga sua produção por negociações fracassadas com outros Estados e desvios de conduta política, associada à lavagem de dinheiro, onde por fatos já registrados em noticiários, mantimentos alimentícios são estocados, escondidos e estragados, por exemplo? Isso é uma civilização fincada no processo estatal, ou baseada no processo primitivo moderno, que ao menos respeita os preceitos éticos de uma sociedade?
Nessa “filosofia”, substituímos a preguiça do homem branco pelo olho grande e usura que mantém muitos das classes mais baixas em eternas sociedades primitivas.
24 de Abr de 2009
Tribo de Jah - Evento Natal da Paz - Maceió-AL,20/12/08
Show filmado no Metropole Hall, Maceió-AL, 20/12/08
Câmera e Edição por Luiz Bernardo Barreto
cULTURA dE aNDADA
PRODUÇÕES
Parte 01
Parte 02
Agradeço a todos da Tribo de Jah
Câmera e Edição por Luiz Bernardo Barreto
cULTURA dE aNDADA
PRODUÇÕES
Parte 01
Parte 02
Agradeço a todos da Tribo de Jah
Reação - Evento Natal da Paz - Maceió-AL, 20/12/08
Show filmado no Metropole Hall, Maceió-AL, 20/12/08
Câmera e Edição por Luiz Bernardo Barreto
cULTURA dE aNDADA
PRODUÇÕES
Agradeço a todos da banda sergipana Reação.
Câmera e Edição por Luiz Bernardo Barreto
cULTURA dE aNDADA
PRODUÇÕES
Agradeço a todos da banda sergipana Reação.
1 de Abr de 2009
Vibrações em Maceió-AL, no Evento "Natal da Paz", 20/12/08
Show filmado no Metropole Hall, Maceió-AL, 20/12/08
Câmera e Edição por Luiz Bernardo Barreto
cULTURA dE aNDADA
PRODUÇÕES
Parte 01
Parte 02
Agradeço a todos da Família Vibrações!
Câmera e Edição por Luiz Bernardo Barreto
cULTURA dE aNDADA
PRODUÇÕES
Parte 01
Parte 02
Agradeço a todos da Família Vibrações!




























